letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
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Out 05
publicado por RAA, às 20:07link do post | comentar
SENTIMENTOS DE CONTRADIÇÃO,
E ARREPENDIMENTO DA VIDA PASSADA

Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava;
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana;

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua orgia dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos:

Deus, oh Deus!... Quando a morte à luz me roube
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.

Retrato Próprio
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ouch!! este poema é daqueles que é melhor não ler em dias de depressão
lebredoarrozal a 3 de Outubro de 2005 às 23:37

Para mim nem é isso. É a pouca musicalidade pouco «bocageana» de alguns dos versos, que destroem o ritmo todo. Ó Richard, não havia melhores?
João Villalobos a 4 de Outubro de 2005 às 12:40

Sim, é pesado, Lebre. Quanto à objecção, foi o último verso, Johnny.
RAA a 4 de Outubro de 2005 às 15:27

Não, é mais o «Mas eis que sucumbe a Natureza escrava». Tem um ritmo de velório :)
João Villalobos a 4 de Outubro de 2005 às 15:58

Sorry, não completei: foi o último verso que me agarrou...
RAA a 4 de Outubro de 2005 às 18:19

não me falem em velório que me lembro logo do Noivado do Sepulcro.
sim, sim, é trauma do liceu
lebredoarrozal a 5 de Outubro de 2005 às 04:13

Cheguei tão tarde! Só agora, via uma dessas blogocoisas para pesquisar o que anda nos blogs, a partir de uma pesquisa por "lida insana", tomei conhecimento de que o soneto estava aqui em exibição. Como ando para aqui à boleia desse soneto quase me senti uma usurpadora... mas é um facto que não o leio como arrependimento, ou pelo menos como arrependimento amargo; acho que há uma glória no tropel passado das paixões, dos prazeres sócios e tiranos, na crença da quase imortalidade da essência humana, nos inúmeros sóis, na alma que em si não coube. Não é de "vícios" que resulta o não ter sabido viver mas sim da condição humana que se encadeou nessa grandiosidade. E há, na minha opinião, uma nota redentora ou optimista (bom... moderadamente): seja o que for que isso significa, admite-se ainda aceder à sabedoria, depois de dose tão valente de "natureza humana". Acho isso razoavelmente optimista...
Susana Bês a 27 de Outubro de 2005 às 19:06

Concordo, Susana. Que leitura magnífica!
RAA a 20 de Dezembro de 2005 às 11:52

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