letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
31
Jan 07
publicado por RAA, às 19:57link do post | comentar | ver comentários (2)

[...] desde menino que tenho o gosto da vida monástica e muitas vezes me refugio na solidão. Viagens, não consigo fazê-las senão em pequena área: Agarro-me à casa, à rua, à terra em que vivo; e mudar exige-me um doloroso esforço!

Confissão dum Homem Religioso


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30
Jan 07
publicado por RAA, às 18:52link do post | comentar

«Diálogos inúteis» de João Gaspar Simões, em que o crítico pôs a nu a iniquidade política do momento, a mortandade em nome da Razão («Na Europa actual há homens que usam a lei da selva sem esquecerem as vantagens que podem colher empunhando a bandeira da Razão.» (46)); diálogos eivados dum pessimismo e duma desistência («O erro da humanidade presente quando se lhe põe o problema da felicidade é sempre o mesmo: confunde o espírito com a matéria. A felicidade é um factor moral, não uma exigência da carne.» (47)); enfim dum derrotismo que aparecia como inaceitável aos olhos de Casais Monteiro, conforme desabafa ao seu cunhado Alfredo Pereira Gomes:
«[...] o Régio e o Simões estão de há muito de "pé atrás" contra o "perigo político" para ela [presença]. E não querem ver que a atitude de independência anticonformista da "Presença" só podia manter-se na medida em que compreendessem que essa independência e esse inconformismo, NESTE MOMENTO HISTÓRICO, não podem ser qualquer objectividade (aliás irrealizável humanamente) pairando por cima dos... problemas da vida. Eles querem uma atitude de alheamento e de "supervisão" que é impossível em épocas como a nossa. [...] Foi o que se passou, por exemplo, com o Simões, escevendo o «Diálogo» sobre a felicidade: querendo pôr-se acima, querendo voar lá pelas alturas da pura ideia, acabou afinal por "fazer o frete" a todos quantos têm interesse em convencer os homens de que não vale a pena fazer nada, já que a felicidade... está no espírito! Como poderás calcular, esta é uma das causas visíveis da catástrofe [...].» (48)
Ao iniciar o novo e breve fôlego de 1939-40, Régio, em editorial não assinado, mostrava-se -- não obstante os futuros reparos de Casais -- ciente desse «terrível momento histórico de múltiplas tentativas de humilhação do espírito» e apresentava a revista como uma «fortaleza espiritual.» (49) Feitas as resenhas históricas da presença pelos dois directores então em conflito, ambos viriam a considerar que o ambiente político da época, cada vez mais extremado, não era propício à continuação da revista (50); o que, aliado ao cansaço de Régio (51), não deixava outra alternativa senão o fim dessa aventura intelectual de treze anos, que se dabatera entre dois fogos: o da (quantas vezes) calculada estetização da política, encorajada, quando não impulsionada pelo Estado Novo através do Secretariado da Propaganda Nacional; e o da vertigem da politização da arte, em que uma não menor frieza enquadrava os generosos entusiasmos juvenis de escritores e artistas neo-realistas. (52)
(46) João Gaspar SIMÕES, «Diálogos inúteis», presença, série II, n. 1, Lisboa, Novembro de 1939, p. 57.
(47) Idem, ibidem, n.º 2, Lisboa, Fevereiro de 1940, p. 128.
(48) Carta a Alfredo Pereira Gomes, já citada.
(49) [José RÉGIO], «presença reaparece», presença, série II, n. 1, Lisboa, Novembro de 1939, p. 3.
(50) Ver Adolfo Casais MONTEIRO, «A poesia da Presença» [1972], O que Foi e o que Não Foi o Movimento da Presença, p. 142; João Gaspar SIMÕES, José Régio e a História do Movimento da «presença», p. 195.
(51) Ver carta datada de Portalegre, em 5 de Julho de 1940, ibidem, pp. 307-309.
(52) Sobre a aplicação dos conceitos benjaminianos de «estetização da política», ver Mário Vieira de CARVALHO, Razão e Sentimento na Comunicação Musical, Lisboa, Relógio d'Água, 1999, pp. 320-321, n. 57; exemplo da prática de estetização levada a cabo pelo SPN/SNI, ver Vera Marques ALVES, «Os etnógrafos locais e o Secretariado da Propaganda Nacional. Um estudo de caso», Etnográfica, vol. I, n.º 2, Lisboa, Centro de Estudos de Antropologia Social, 1997, pp. 237-257; sobre o enquadramento dos neo-realistas por parte do PCP, ver João MADEIRA, Os Engenheiros de Almas -- O Partido Comunista e os Intelectuais, Lisboa, Editorial Estampa, 1996, p. 122 e passim.
Agosto-Setembro de 2000

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29
Jan 07
publicado por RAA, às 22:13link do post | comentar
A BIOGRAFIA

corria-nos a vida ao sabor daquelas pequenas coisas
que põem a vida a correr. uma graça no olhar. dois
dedos a afagar. junto às rugas dos teus olhos. bem
perto dos teus segredos. como uma toalha de linho
desenhada a ponto de cruz. escondida e solitária nas arcas
da nossa memória. onde os desenhos sobravam.
onde os anos de tão curtos ficavam apenas voando nas
virtuosas verdades. aguardando a serenidade
de passarem para a outra margem.

Pelas Margens da Serenidade

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publicado por RAA, às 01:09link do post | comentar






João Abel Manta

publicado por RAA, às 01:08link do post | comentar
16-5-[18]71
[Lisboa] Rua dos Prazeres, nº 63, 1º [23 de Maio de 1871]
Meu caro O. Martins
Quanto nos alegrou a sua excellente carta! e como sentimos não o termos cá ao pé de nós! Entre muitos a sua falta é das q. se sentem: immagine, entre poucos, como será lembrado e desejado... Digo isto em geral, por q. pensamos em si a proposito de todas as coisas interiores e organicas do nosso phalansterio espiritual: e digo-o mais particularmente a respeito das Conferências, por que com a sua ausencia nos fica desguarnecido um grande lado da nossa frente de batalha. Ainda assim, a sua adhesão a distancia é valiosa para o publico, e preciosa para os nossos corações de amigos, visto q. está com nosco em espirito. Nem nós pediamos mais: sabemos o pouco que ha a esperar d'estas coisas, n'esta nossa terra, e nem por sombras nos lembravamos de propor a alguém q. preterisse deveres naturaes, e em tudo sagrados, por uma tentativa, q. sendo m.to boa em si, nos resultados finaes pouco pode valer, a não ser p.ª o socego das nossas consciencias. Convidamo-lo exactamente p.ª aquillo q. V. aceitou: a dar o seu nome, e uma esperança: nada mais. Alguma vez ha-de vir a Lisboa: pois nas vesperas da viagem, pense n'um assumpto e deixe-se ouvir, em cá chegando.
Junto vai o programma que publicámos: um nome lhe causará surpreza provavelmente, o do Soromenho. Com a maior simplicidade fez aquilo que outros entendem q. precisa m.ta bulha p.ª não fazerem: verbi-gratia , o Jayme Moniz, q. actualmente lastima com phrases m.to sinceras (e m.to longas) a nossa imprudencia, mostrando um caridozo pesar por ver q. estamos cavando a ruina do nosso futuro, q. cortamos as nossas carreiras etc. Que lhe parece?
Foi hontem à noite a conferencia de inauguração, sendo eu o encarregado de levantar o commum pendão, e de fazer soletrar ao publico as palavras fatidicas n'elle inscritas. Assim o fiz, sem lhes ocultar com q. letras se escreve Revolução, Livre pensamento, Democracia e (oh horror!) Socialismo. Contra toda a espectativa, o publico -- perto de 300 pessoas -- não só se não offendeu, mas até mostrou uma certa simpathia, verdade é q. mais dirigida ao pensamento das Conf. em si e ás pessoas dos conferentes, do que ás ideas expostas. Fui á saida abraçado por juízes de direito... e até generaes! Isto é um paiz unico! Quando o conhecemos nós finalmente?Por q. imagine q. esperavamos protestos, e assuadas, e tal houve q. foi p.ª lá munido de casse-tete...
Ainda não vi os jornaes, não sei o q. dizem: você recebe ahi uns dois, e por elles verá.
A respeito do seu Camões, digo-lhe somente que a impaciencia q. sinto pelo ver terminado e pelo ler, só é igualada pela confiança q. tenho no seu espirito critico e no seu gosto poetico. Adeus; recomende-me á lembrança de sua mulher e creia-me
seu do C.
Anthero
Novas Cartas Inéditas de Antero de Quental
(edição de Lúcio Craveiro da Silva)

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