letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
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Jul 12
publicado por RAA, às 23:19link do post | comentar
 Aí por 1971/72, entre os meus sete e oito anos, num casamento de um amigo da família, vislumbro José Hermano Saraiva que, já então, tinha um programa cativante na televisão -- «O Termpo e a Alma» --, em que discorria sobre a História de Portugal e as suas figuras, numa posição hierática mas cheia de magnetismo, acompanhado dos inigualáveis painéis de Nuno Gonçalves (ou ditos de) por cenário. Hiper-excitação da minha parte, intervenção da minha mãe. Saraiva, que era baixote, curvou-se sorridente para falar comigo: «--Então gostas do meu programa?!... [...] Olha, o próximo vai ser sobre o Infante D. Henrique.» E foi, ó coisa mágica, ó caixa mágica!... 

 

Em 1997 acompanho-o num programa sobre Cascais. Assisto àquela mise-en-scène, a pose para a câmara, o bicho mediático em acção... Indescritível. Falo-lhe no nosso encontro, um quarto de século antes, evocamos o amigo. Deste também breve encontro, recordo-me de duas coisas: o elogio que fez ao livro de Vasco Pulido Valente, O Poder e o Povo, que considerava uma das grandes obras da historiografia portuguesa contemporânea; e o seu pessimismo em face do devir da Humanidade: «Vejo o homem do futuro como um grande estômago e uma grande cabeça, membros superiores desenvolvidos e os inferiores atrofiados, incapaz de se deslocar por meios próprios. Tenho de pedir a um artista para me fazer uma figura assim...»

 Diário de Notícias


De José Hermano Saraiva, a minha primeira imagem - ia eu já pelos 19 anos - foi uma imagem de televisão: a sua intervenção como Ministro da Educação, ou lá o que era na trupe da Primavera marcelista, no calor da crise académica de 1969 (Coimbra): "A ordem será restabelecida!". Foi de gelar o sangue. A entoação não era muito diferente da que depois deu nos seus programas a alguns ditos históricos que ficaram célebres.
Acontece que por essa altura era eu vizinho e amigo dos filhos do seu irmão (O António José Saraiva) e isso permitia-me ver como numa mesma família se podem juntar desígnios humanos tão diversos.
Depois vi muitos dos seus programas, comprei alguns dos seus livros ("A História Concisa de Portugal", por exemplo), mas fiquei sempre marcado pelo primeiro conhecimento que tive da pessoa.
Como o meu amigo, parece.
José Rafael a 24 de Julho de 2012 às 19:46

Diferentes idades e diferentes contextos... Mas essa sua primeira impressão é de deixar marcas a qualquer um...
RAA a 24 de Julho de 2012 às 22:56

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