letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
11
Ago 05
publicado por RAA, às 19:59link do post | comentar
CEMITÉRIO INGLÊS DE ELVAS (SÉCULO XIX)

Quase todos são soldados. Aqui chegaram trazidos
por uma espécie de acaso e os seus olhos de repente fecharam-se
para encontrarem este espaço murado. Não há muitas flores. Nele
as lápides dão-nos algumas informações. Vieram de longe
e traziam consigo uma pequena luz. Esta apagou-se. Ficaram só
[escritos
alguns dos seus nomes; pouco se conhece acerca da viagem
que tinham iniciado. Se chega o vento, ainda traz consigo a poeira
de alguns combates. Foi há muitos anos, mas para eles o tempo
não passa porque se encontram sozinhos. É muito o que a areia
espalhada à sua volta nos oculta. Há um portão entreaberto. Por
[ele
entrámos e havemos de sair. Não temos pressa. Qualquer
uma das nossas mãos podia estender-se, colher o que talvez fosse
apenas uma sombra. Eles estão ali para nos dar qualquer coisa.

Lições de Trevas

10
Ago 05
publicado por RAA, às 19:00link do post | comentar
O que se entende por Moral?
É um sentimento de rectidão, imposto pela classe superior, com o único fim de conduzir a classe baixa a um modo de vida sossegado.
Breve Catequese para a Classe Oprimida
(tradução de Alexandre Pastor)

publicado por RAA, às 18:49link do post | comentar
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publicado por RAA, às 01:11link do post | comentar
A PALAVRA

Só conheço, talvez, uma palavra.

Só quero dizer uma palavra.

A vida inteira para dizer uma palavra!

Felizes os que chegam a dizer uma palavra!

Vislumbre / Obra Poética
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publicado por RAA, às 01:07link do post | comentar
Posted by Picasa Desenho de João Abel Manta

08
Ago 05
publicado por RAA, às 22:46link do post | comentar
Não há deus que resista à iniquidade dos homens.

07
Ago 05
publicado por RAA, às 16:18link do post | comentar
POEMA AUTÓGRAFO PARA MARIA MANUELA

Num daqueles longos almoços aos domingos
No inverno, na última folha do calendário
Olhava em frente para o largo estuário
E via a chuva triste -- os primeiros pingos

Havia um barco em desespero à procura
Dum porto seguro ou talvez duma solução
E não era fácil entre o olhar e o coração
Abrir comportas na barragem da ternura

Havia uma mulher do outro lado da mesa
Talvez demasiado atenta ao que eu dizia
No transporte do prestígio de alguma poesia
Que apenas contabiliza uma grande tristeza

Havia ligeira agitação entre o rio e o mar
Repetida na toalha mas tão de mansinho
Fazia poemas nos guardanapos, meu caminho
Na distância que vai do coração ao olhar.

Universário

publicado por RAA, às 16:10link do post | comentar
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06
Ago 05
publicado por RAA, às 16:40link do post | comentar
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publicado por RAA, às 16:34link do post | comentar
Penafiel, 15/8/42

Meu caro Castilho

Antes de mais nada, quero agradecer-lhe o gosto que tive, no domingo, em estar consigo e com os seus. Tenho pena que a minha saúde não me permitisse, então, estar tão disposto como queria e devia. Mas paciência, outra vez estarei melhor e saberei corresponder melhor às atenções que tiveram para comigo. Creia que, mais do que tudo, agradeço e não esqueço a confiança e a amizade.
Acabei de ler o Dostoievski. É realmente um livro admirável e, nele, talvez mais claro se vê o funcionameno do Gide. Não esquecerei certas aproximações que ele faz, nem conclusões que tira, embora seja demasiado hábil ao evitar concluir.
É este excesso de habilidade que permite ao Gide contradizer-se com coerência (ainda que não pareça) e, por outro lado, faz com que certas obras dele se desenvolvam paralelamente a si próprias.
Num respeito feito de distância constante e de intangibilidade procura ele, porém, pôr os problemas em contacto. O curioso está em os pôr em contacto uns com os outros apenas. Daí a diferença que há entre o criador perfeito e o mestre de consciências, digamos assim; a diferença entre um Flaubert e um Roman Rolland, por exemplo. De resto, por paradoxal que se julgue, Gide é muito mais mestre que este último, dado que o R. Rolland oscila entre ambos os pólos e não por escrúpulo mas por preocupação de nitidez. E pode perfeitamente ser-se ambas as maneiras de ser: é o caso de Thomas Mann quando não escreve os Buddenbrooks (não me lembro se V. conhece este livro).
Desculpe estas considerações que, há muito, eu andava «chocando» e vieram a lume agora e pelo que se vê.
Escreva. Dê notícias. Não sei se irei ao Porto na semana que vem; talvez não.
Cumprimentos aos seus. E um grande abraço do seu sempre muito amigo
Jorge de Sena
P. S. -- Fui reler esta carta e, subitamente, vi que faltava pensar cá fora uma coisa: a razão de ter posto Flaubert. É que não fiz distinção entre o corpo de ideias expressa e o corpo de ideias em que se apoia a expressão.
Mais uma vez um grande abraço do Jorge.
Até breve
Correspondência
(edição de Mécia de Sena)

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