letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
11
Dez 05
publicado por RAA, às 02:41link do post | comentar | ver comentários (6)
A MISSÃO DAS FOLHAS

Naquela tarde quebrada
contra o meu ouvido atento
eu soube que a missão das folhas
é definir o vento

Aquele Grande Rio Eufrates / Obra Poética I
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publicado por RAA, às 02:36link do post | comentar
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10
Dez 05
publicado por RAA, às 13:20link do post | comentar
Imitamo-nos uns aos outros. Alguns têm o talento de tornar a cópia pessoal, quase tudo parecendo arrancado das entranhas. Há quem assuma a paráfrase reverencialmente, com bibliografia vasta e notas de rodapé; e também há os que produzem meras contrafacções. Aos mais afortunados reconhece-se-lhes um veio intertextual.

09
Dez 05
publicado por RAA, às 16:49link do post | comentar

publicado por RAA, às 16:46link do post | comentar
Leça, 19 de Outubro de 1886

Xavier:
Já te mandei (vá «tu», pois assim o queres, o bilhete-postal «urgente» que me pediste. É Ellen, sabes?
Perguntas-me se tenho lido a Ilustração? Não. Um irmão meu que assinava já não vive em nossa casa, portanto não a leio. Às vezes, na Província, deparava com um ou outro número. Se não me engano, foi lá que li as «Américas» versos teus de que gostei muito. Agora é tarde. Não poderás enviar-me os números em que eu colaborei? Vê lá.
Muito em breve remeter-te-ei originais à farta, para deles fazeres o uso que quiseres... Quando sair a tua «Révue» manda-ma.
Falas-me em um curso excelente que há em Paris. Ah, quem me dera! Mas tu, -- bem no sabes, -- vivo ainda sob a asa paternal... Embora o desejasse, era impossível.
Meu pai destina-me, e, portanto, forçado sou a frequentar a «Universidade», o antro da estupidez «local»!
Quem me dera, querido Poeta, desdobrar as pequeninas asas de «rouxinol» e, atravessando espaços, ir poisar no dorso altivo duma águia-monstro -- a França.
Tu é que tiveste juízo... a tempo. Vais-te relacionar com essa gente e correspondes-te com ela. Pelo que vejo, os homens daí, são bem mais «humanos» que os de cá. Não têm orgulho. Protegem os novos. Em Portugal, afora um ou outro, os escritores medem-se, não pelos seus escritos, mas pela vaidade. Há um amigo dos rapazes: é o Junqueiro. Este sim. É a Bondade inteligente. Tem um segundo cérebro dentro do coração e um segundo coração dentro do cérebro!
Adeus, abraça-te o teu
António Nobre
Correspondência
(edição de Guilherme de Castilho)

08
Dez 05
publicado por RAA, às 20:34link do post | comentar
Eric Burdon

publicado por RAA, às 16:04link do post | comentar
Os dois inimigos ficaram por um momento a olhar-se, espantados. Cada um tinha uma espingarda na mão e ódio no coração, e a ideia de assassínio dominava-lhes os pensamentos. Tinham, finalmente, oportunidade de dar largas às emoções de toda uma vida. Mas um homem, criado segundo princípios civilizados de contenção não pode, de ânimo leve, matar o seu vizinho, a sangue-frio e sem dizer palavra, excepto para punir uma ofensa feita contra o seu coração e honra.
«Os intrometidos», A Tela Humana
(tradução de Isabel Cisneiros)

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07
Dez 05
publicado por RAA, às 22:06link do post | comentar | ver comentários (11)
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publicado por RAA, às 21:56link do post | comentar
O BEIJO

Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?

É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...

No Reino da Dinamarca / Poesias Completas

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