letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
09
Jun 06
publicado por RAA, às 22:15link do post | comentar
António Carneiro, Onda (Vaga)
Colecção particular (Jorge de Brito), Cascais

08
Jun 06
publicado por RAA, às 23:59link do post | comentar

-- O nome de «presença» é um achado. [...] Como lhe ocorreu esse nome, que é a mais bela síntese, que conheço, de um programa tão vasto?
-- [...] Encontrei-o por intuição, digamos [...] uma ideia latente em quase todos os presencistas [...] ela me parece obedecer a uma noção da vida nas suas relações com o tempo, segundo a qual a consciência de existir, na maior plenitude, nos é dada pelo momento presente que vivermos em intensidade. Só esse valerá para a aspiração de eternidade que não abandona o homem, porque será antecipação, futuro já, por conseguinte. Aquele futuro de que o homem não se pode desprender por estar na raiz do seu próprio instinto de conservação, e que é desejo obscuro de continuar.
In João de Brito Câmara, O Modernismo em Portugal (Entrevista com Edmundo de Bettencourt)

07
Jun 06
publicado por RAA, às 18:08link do post | comentar | ver comentários (2)
AMOR-METEORO

Encontrei-a no cais, ao embarcar,
E, após um curto olhar retribuído,
Tão preso me senti, tão seduzido,
Que até como isto foi nem sei contar.

Só sei que agradeceu o meu olhar
Com outro mais gentil e enternecido,
E que fiquei em terra possuído
De um ódio torvo e estranho contra o mar.

Não mais em minha face inconsolável
Demorará seus olhos de veludo!
Não mais aquele instante inolvidável!

Um protesto de amor ardente e mudo,
Um sorriso, uma dor incomportável,
Um triste volver de olhos... e foi tudo.

Maré Alta

publicado por RAA, às 00:44link do post | comentar













A ficção-científica por antonomásia.

05
Jun 06
publicado por RAA, às 23:12link do post | comentar | ver comentários (3)
Tinham andado à azeitona todo o santo dia, e estavam a cear, de ranchada, em casa do amo. Prosseguiu a conversa em grande galhofa enquanto durou o caldo, e enquanto, depois do caldo, comeram as batatas guisadas. Era na cozinha, a grande cozinha escura do lavrador -- com o lume a arder além, o armário acantoado acolá, ali a cantareira, além a boca do forno, a masseira logo ao pé, a banca daquela banda, onde a moça, mais a ama, despachavam as refeições, e em cima, pingando, as varas do fumeiro. A um lado, ao pé da porta que dava saída para o quintal, as azeitoneiras comiam, alumiadas por uma candeia.
«Luzia»,
Antologia do Conto Português

publicado por RAA, às 23:11link do post | comentar
Posted by Picasa

fonte

04
Jun 06
publicado por RAA, às 16:41link do post | comentar | ver comentários (2)
MARASMO

Nenhum grito desperta o silêncio de agora;
Cavalga sobre o mar um turbilhão de medos;
Perderam as marés o ímpeto de outrora;
Já não franjam de espuma a crista dos penedos.

Crocitam pelo espaço, em bandos, as gaivotas
E os capitães, no cais, dormitam, insensíveis;
Sob as águas do porto, as âncoras ignotas
Sonham cada vez mais com viagens impossíveis.

Viagem Dentro de Mim

publicado por RAA, às 16:09link do post | comentar
segundo António Cândido Franco,

publicado por RAA, às 02:54link do post | comentar
escrevo para dizer o que não pode ser dito
Ana Hatherly

publicado por RAA, às 02:49link do post | comentar
Dave Swarbrick
(foto: Valerie Wilmer)

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