letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
03
Fev 07
publicado por RAA, às 23:15link do post | comentar | ver comentários (2)
King Crimson, In The Wake of Poseidon
Plato's spawn cold ivyed eyes
Snare truth in bone and globe.
Harlequins coin pointless games
Sneer jokes in parrot's robe.
[...]
Heroes hands drain stones for blood
To whet the scaling knife
Magi blind with visions light
Net death in dread of life.
Their children knill in Jesus till
They learn the price of nails:
Whilst all around our mother earth
Waits balanced on scales.


publicado por RAA, às 16:48link do post | comentar
Ernst Ludwig Kirchner, Auto-Retrato com Modelo
Museu de Arte, Hamburgo


02
Fev 07
publicado por RAA, às 23:40link do post | comentar | ver comentários (2)
Às dez semanas, o ser que existe no ventre da mulher já é suficientemente humano para que o Estado e/ou a Comunidade se possam permitir a sua supressão sem razões ponderosas. Só aceito a eliminação de um feto se a vida da mãe correr perigo, se existiu violação (neste caso defendo que nem sequer se deve impor um prazo para a decisão da mulher) ou se se verificar uma malformação grave.
A pergunta que é feita aos cidadãos é duma esperteza saloia inqualificável, tão espertalhaça como defender que a 11 de Fevereiro iremos simplesmente pronunciar-nos sobre o um artigo do Código Penal.
O aborto clandestino é uma chaga social, é verdade. As mulheres que o praticam sujeitam-se aos maiores incómodos, devassas e humilhações, é um facto. As que podem, vão fazê-lo ao estrangeiro, sobejando para as pobres as curiosas, as abortadeiras e os queridos médicos abortadeiros.
Para começar: a estes, aos médicos abortadeiros e às parteiras da mesma igualha, gostava de vê-los na cadeia e irradiados da profissão.
Não concebo, com o país que temos, primitivo e boçal, que as mulheres sejam sequer levadas a julgamento. Isso foi proposto por Maria do Rosário Carneiro e Teresa Venda, e logo posto de lado porque o que interessava era «acabar com a humilhação», mesmo que a dita continuasse, como continuou. Freitas do Amaral e Manuela Eanes, entre outros, propuseram que ao crime de supressão de uma vida não correspondesse uma pena. É claro que apareceram uns chicos-espertos a dizer que «tinha de haver pena», que era uma absurdo jurídico e outros cacarejamentos, como se Freitas fosse um veterinário e não percebesse nada de leis.
Julgar e condenar mulheres de classe desfavorecida é uma injustiça, não só por muitas vezes lhes faltar informação, como por serem coagidas pelos maridos ou pais a abortarem, e ainda por lhes estarem vedados os simples meios de contracepção (já nem falo do torpedeamento da Santa Madre Igreja, à qual me referirei adiante): aos bonitos esposos de muito do nosso Portugal nem lhes pode passar pela cabeça que a sua mulher usa a pílula. Usar a pílula contraceptiva no país profundo, porco e boçal é meio caminho andado para os labregões imaginarem as mulheres deles no fornicanço cadeleiro -- que é o que eles conhecem e praticam.
Houvesse coragem política para tornar obrigatórias as consultas de planeamento familiar nos centros de saúde, tão obrigatórias como o é a vacinação -- com boletim e tudo --, para todos os adolescentes a partir dos catorze anos, e, em futuro próximo, outro seria, o panorama do aborto clandestino. É evidente que não haverá essa coragem. Se o «Sim» ganhar, está, para eles, o problema resolvido; se o for o «Não» a vencer, duvido que os partidalhos da esquerda -- sempre a contar votinhos, sempre a marcar pontinhos políticos à pala da «IVG» -- queiram defrontar o país conservador e a poderosa Igreja, promotora de sexualidade para eunucos, como bem demonstrou o Cardeal Patriarca e as suas patacoadas de educação sexual para a castidade (!)...
Sou ateu e voto à esquerda. O meu «Não» resulta da convicção de que não é lícito, a pretexto de problemas de saúde pública graves e problemas de civilidade igualmente agudos, permitir-se a destruição de fetos, que são, repito, seres humanos. Se após 11 de Fevereiro o aborto continuar a não ser livre, e nesse sentido votarei, espero que o Estado e a Sociedade assumam as suas responsabilidades, promovendo uma verdadeira reviravolta na política de planeamento familiar, para além do Sim carniceiro e do Não beato.





publicado por RAA, às 22:56link do post | comentar

01
Fev 07
publicado por RAA, às 21:31link do post | comentar
PASSOS DE VELUDO (título póstumo)

Do not go gently into that good night
Dylan Thomas

Não permitas que a noite se desabe,
habituada e negra. Antes confunde
as regras e as sombras que lhe obedecem,
cegas. Não descanses olhar sobre
o vazio, nem no silêncio seduzindo
em nada. Aqui: címbalo, pífaro, assobio,
ou tampas de barulho avesso a almofada.
Grita, blasfema, geme em timbre agudo,
mas não deixes a lua, com passos de veludo
entrar pela ombreira, sentar-se e conversar.
Nem lhe ofereças um lar de cabeceira
e penumbra doente. Argumenta-a de frente
e à seda roçagante dos seus passos;
numa filosofia de algibeira,
resiste-lhe o abraço cultivado. E rasga
a sua máscara ausente de suor. Não entres
docemente nessa noite. Não entres
tão depressa.

E Muitos os Caminhos / Poesia Reunida

publicado por RAA, às 21:22link do post | comentar

publicado por RAA, às 19:51link do post | comentar

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