letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
27
Jan 09
publicado por RAA, às 19:04link do post | comentar | ver comentários (2)
Antero estudara alemão para ler, na versão original, os grandes pensadores germânicos; mas não o falava nem escrevia, nem tão pouco entendia se o falavam ao pé dele. / Aprendera a senti-lo apenas com os olhos, como quando, deitado no seu beliche de bordo, durante meses, passava os livros pela vista, sem jamais pronunciar uma palavra.
A Viagem de Antero de Quental à América do Norte

publicado por RAA, às 18:24link do post | comentar | ver comentários (2)

26
Jan 09
publicado por RAA, às 22:16link do post | comentar

publicado por RAA, às 19:06link do post | comentar
CORPO E ALMA

(a MANUEL DE CAMPOS PEREIRA)

Ela passou
como se fosse uma nuvem...

E quem a olhou
não a viu
senão apenas
como mulher

Nada mais ficou:
um suspiro, uma saudade,
fosse o que fosse...

Ela passou
e nem sequer notou
que era seguida
por um simples olhar...

Ela passou
na verdade
como se fosse unicamente
uma nuvem perdida

Mas depois dela passar
os homens que a viram
aprenderam a conhecer melhor
a sua própria vida!

Viagem d'Aventura

publicado por RAA, às 18:44link do post | comentar

25
Jan 09
publicado por RAA, às 23:58link do post | comentar | ver comentários (4)
Assis Esperança, Viver!, Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, Lisboa, 1921.
Dedicatória impressa: «a meu irmão / Julio d'Assis Esperança / / companheiro de todas as horas, na admiração profunda pela amizade de sempre.»
Segundo título do escritor, depois da narrativa A Vertigem (1919).
Protagonistas principais:
Carlos d'Azevedo -- banqueiro, tuberculoso em estado adiantado. Casa com a filha do sócio, entretanto falecido.
Alda -- Mulher de Carlos, jovem e abnegada. O marido oculta-lhe o estado de saúde, passível de contágio.
Henrique -- braço direito de Carlos. Fora noivo de Alda, escondendo uma ligação paralela, que vem a ser descoberta. Revela escrúpulos e uma atitude altruísta pouco coerente com a deslealdade passada -- como se se tratasse duma redenção.
O romance está construído como um longo testemunho de Carlos dirigido a Alda, redigido na prisão, após o assassínio de Henrique às suas mãos. Perturbado pelo interesse solícito de Henrique pela saúde da mulher, Carlos mata aquele, impedindo uma possível união de ambos após a sua morte.
O estilo escorreito de Assis Esperança é prejudicado pelo vezo naturalista que encharca o texto, bebido certamente em muito Zola e Abel Botelho -- v.g. as copiosas referências médicas e respectivos tratados concernentes à enfermidade --, defeito de que o escritor rapidamente se libertará.
Alguma ideologia libertária de Assis -- crítica à autoridade, à organização social, à família como instituição, à religião -- atravessa o relato de Carlos d' Azevedo, um homem do establishment que, dominado pela doença hereditária, é também um revoltado.
Incipit -- A todos os magistrádos, por vontade dos homens, encarregados do meu julgamento, aos médicos, aos legisladôres; a ti, minha esposa, flôr d'altura, para que não me condenes antes de me ouvir; a toda essa coorte de inúteis, a toda essa caterva de animais feridos de morte, a toda essa legião de criminosos sem consciência, que são os incubadôres dum mal.
Nota: o meu exemplar pertenceu a Julião Quintinha, escritor e jornalista, uma grande figura cultural do anarquismo português. Dedicatória autógrafa: Ao conterraneo / Julião Quintinha, com um grande abraço de muita admiração pelo seu talento / Assis Esperança
A capa (horrível) é de Lyster Franco.

publicado por RAA, às 22:43link do post | comentar

publicado por RAA, às 17:11link do post | comentar
José Ruy, Humberto Delgado -- O General sem Medo


24
Jan 09
publicado por RAA, às 14:36link do post | comentar
Jack Kinney, Tiger Trouble (1945)

publicado por RAA, às 04:11link do post | comentar | ver comentários (3)
Uma capa de Bernardo Marques para Os Budenbrook, de Thomas Mann
Livros do Brasil, Lisboa, s.d.

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