Dá-te seus risos cândidos A fresca mocidade? Ainda em teus sonhos áureos Sorri a f'licidade? Da tua vida flórida 'Stás inda na manhã? Inda na fronte pálida A mão da desventura Não foi crestar-te rápida A c'roa etérea e pura? Mostrar-te que no mundo Toda a ventura é vã?
Inda p'ra ti a lânguida Brisa que à tarde ondeia Te anima a fronte plácida Que a dor nunca anuveia? Inda te afaga o 'spirito Gentil, casta ilusão? Nas regiões sem término De uma infinita esp'rança Inda a tua alma etérea Voa, e jamais descansa, Sem que a detenha lúgubre, Fatal desilusão?
Oh! goza a aurora flórida Do dia da existência, Colhe-lhe as rosas cândidas Nas horas da inocência. A taça esgota, sôfrega, Do rápido prazer; Ah! goza, enquanto a última Voz do fatal destino Não vem mesclar-se lúgubre Da juventude ao hino, Que os gozos da inocência Jamais hão-de volver.
Latino Coelho -- Poeta e Amoroso (edição de Arlindo Varela)