letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
11
Fev 11
publicado por RAA, às 23:12link do post | comentar | ver comentários (2)
O que mais me impressionou nestes dias de levantamento popular no Egipto foi não apenas a determinação demonstrada pelos cairotas e restante população contra o regime de Mubarak, mas a civilidade com que o fizeram:  os episódios do Museu do Cairo e da Biblioteca de Alexandria, o exemplo de unidade para além das confissões religiosas, a ausência de bandeiras americanas queimadas, quando se sabia que os EUA foram sustentáculo do regime, como pragmaticamente tiveram de o ser (Obama esteve muito bem, mais uma vez). As mortes foram causadas pelos esbirros do costume. 
A seguir se verá o que vem; mas venha o que vier, tal  não apagará da memória o notabilíssimo exemplo cívico destas semanas na Praça da Liberdade.
(foto: Marco Longari, AFP)

publicado por RAA, às 19:46link do post | comentar

10
Fev 11
publicado por RAA, às 22:56link do post | comentar | ver comentários (2)
PRIMAVERA DE BALAS

Agarro
Na minha última humilhação
E sem ir embora da minha terra
Emigro para o Norte de moçambique
Com uma primavera de balas ao ombro.

E lá
No Norte almoço raízes
Bebo restos de chuva onde bebem os bichos
No descanso em vez da minha primavera de balas
Pego no cabo da minha primavera de milhos
e faço machamba ou se for preciso
Rastejar sobre os cotovelos
E os joelhos 
Rastejo.

Depois

Escondido em posição no meio do mato
Com a minha primavera de balas apontada
Faço desabrochar no dólman do sr. Capitão
As mais vermelhas flores florindo
O duro preço da nossa bela
Liberdade reconquistada
Aos tiros!

in No Reino de Caliban III
(edição de Manuel Ferreira)


09
Fev 11
publicado por RAA, às 23:54link do post | comentar
Brodsky Quartet & Elvis Costello
foto: Amelia Stein

publicado por RAA, às 19:02link do post | comentar | ver comentários (2)

08
Fev 11
publicado por RAA, às 19:57link do post | comentar | ver comentários (3)
o medo e a transgressão
o disfarce e a submissão
correm no meu sangue
confinado à beira baixa

no retrato duma trisavó
na terra
no nome da família
inscreve-se ao baixo o rasto milenar da judeia na cara do meu
                                                                                   [sangue

passei a exigir-me judeu
vestígio da nobreza do meu sangue
berbere celta negróide

e há segredos de roda
tradição familiar fantasiosa de aristocracia presuntiva
sem um pingo da nobreza do meu sangue

a verdade é que no meu sangue há criadas de servir
criadas em locais remotos duma baixa beira
terra de contrabando e crime
terra de ninguém

07
Fev 11
publicado por RAA, às 22:32link do post | comentar | ver comentários (6)
Mas eu... posso eu acaso merecer-te?
Antero de Quental

publicado por RAA, às 19:23link do post | comentar

06
Fev 11
publicado por RAA, às 23:12link do post | comentar | ver comentários (11)
Escreveu La Bruyère*: «Um espírito medíocre julga que sabe escrever divinamente; um espírito sagaz julga que só escreve razoàvelmente.» -- ou do espírito crítico (algo que, como o bom senso, foi pessimamente distribuído por deus nosso senhor pelas suas criaturas).

*Os Caracteres, tradução, selecção e prefácio de João de Barros, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1941, p. 73.

05
Fev 11
publicado por RAA, às 19:37link do post | comentar

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