Um estudo de Stefano d'Errico sobre o magnífico Camillo Berneri (1897-1937). Berneri, depois de Errico Malatesta e Luigi Fabbri, é a grande referência histórica do anarquismo italiano. As suas ideias, heterodoxas, debatem um dos tabus do pensamento libertário clássico, o da organização política -- no fundo, o calcanhar de aquiles da táctica deste movimento heterogéneo, que não resiste, no terreno, ao confronto com organizações adversas de pendor autoritário ou totalitário. Isso foi visível na década de 1930, cá e lá fora. Berneri não pretende obviamente macaquear os partidos políticos, mas reconhece que havia que ir para além das proclamações , tão bombásticas quanto vazias, e da veneração quase religiosa dos grandes autores, Kropótkin à cabeça. Intelectual e homem de acção, voluntário na Guerra Civil de Espanha, raptado e morto por agentes estalinistas às ordens de Palmiro Togliatti, secretário-geral do PCI,Camillo Berneri deu um contributo inestimável para a reflexão sobre a liberdade e a esquerda, pois sem liberdade a esquerda não passa de uma caricatura, de um embuste; e contribui substancialmente para a discussão em torno da superação do beco sem saída em que se colocava uma visão fechada do movimento anarquista , guetizado pela força das circunstâncias históricas.
«Evitar a autoridade significa evitar a sociedade. Um indivíduo pode viver no tonél de Diógenes, um povo necessita da cidade.» (p. 8)
Stefano d'Errico, Anarquismo e Política: Revisão Crítica de Camillo Berneri, tradução de Elisa Areias e Luís Garcia e Silva, Lisboa, Centro de Estudos Libertários / A Batalha, 2009.
