letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
08
Jan 08
publicado por RAA, às 20:06link do post | comentar
SENTIDOS

Parou, recolheu a areia entre os dedos
que deixou escorrer como cascata breve.
O horizonte ardia-lhe nos olhos à distância
de focagem dos oásis, quando o sol destila miragens
no desespero do poema.
Ergueu-se, navegou os sentidos pelas dunas
pelos répteis que se refugiavam
nas sombras mínimas da rebentação da luz.
Teve sede, espremeu o cantil.
A última gota de água escorreu-lhe pelo peito
numa estranha agitação de nascente.
Retomou os passos dos negreiros, pensou nos
passos dos negreiros, longas caravanas como
chicotes sinuosos. O passado estalava sobre
os corpos doridos e sedentos. Não sabe
se caiu se o arrastaram delirando.
Agora o poema põe-no sob tamareiras
onde Deus dá guarida aos profetas.
Bebe água fresca de sombra nos riachos.
Come tâmaras maduras. Os beduínos
de bronze encaminham-no à terra
da promissão

Voltei à Casa Pequena

mais sobre mim
Janeiro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9


25



pesquisar neste blog
 
blogs SAPO