letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
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Mai 07
publicado por RAA, às 23:56link do post | comentar
O colaboracionismo de Hergé tem sido motivo de sucessivas abordagens, principalmente desde a sua morte. Embora não tenha feito leituras exaustivas sobre o assunto, parece-me que esse «colaboracionismo» foi mais de circunstância, de sobrevivência ou comodidade. Conservador católico, certamente, desde o Vingtième Siècle, jornal da Igreja. Anticomunista aos 22 anos, sem dúvida. O facto de nunca ter refeito o Tintin no País dos Sovietes é também sinal de que Hergé não se revia naquela caricatura -- que, oh ironia, estava muito mais próxima da realidade do que ele supunha: só se pode falar em estado socialista (o termo já é em si contraditório) a propósito da URSS, como caricatura. Na ocupação, o caso foi diferente. Hergé encolheu-se, acomodou-se, continuou a publicar Tintin no Le Soir, dirigido pelos ocupante nazis. Isso valeu-lhe uma curtíssima estada na prisão. (Na vinheta de Stanislas, Hergé, à esquerda, e um companheiro de cela ouvem a execução dum colaboracionista). A minha convicção de que o comportamento de Hergé não foi muito gravoso sustenta-se no facto de Raymond Leblanc, um homem da resistência ao ocupante, ainda vivo, ter convidado o autor para juntos iniciarem um semanário de BD. O Tintin, hebdomadário dos jovens dos 7 aos 77 anos surgiria em 1946, com O Templo do Sol.

Stanislas, Bocquet e Fromental (argumento)

As Aventuras de Hergé


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