É como quem se olhasse num auto-retrato antigo e fluente Ela sabe, como eu, da abatida constelação da casa mas enfrenta-me, acabou de nascer e abre imensamente os olhos A névoa abraça-nos até ao osso respira no ferro e no granito sob todas as mãos Estranham-me a paixão dos retratos impassíveis não sabem como visto numa sombra perfeitamente de mim a cidade que parti e não conheço e nem sequer posso esquecer Gestos soltos noutra varanda, ao fim da mesma tarde entre escadas e o cais e o ar e o mar Ela sabe, como eu, tudo desta casa mas não pára de me encarar tudo, edificação de sombras lentamente sobre sombras o frágil furacão que vai ficando Estranham-me a roupa escura e os olhos claros o camafeu que disfarça os dois seios sim. eles estão cá, inteiros, e apenas sou a mulher que passa pelos pátios Por mim, distraem-me os mínimos trabalhos certa jardinagem, grades sobre rendas Algo sopra dos fundos dos quartos fecha as janelas, murmura versos que não possas viver Mas ela pinta intensamente e se assim te debruça atravessa-te toda a água do rio o espelho inteiro da tua vida