letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
20
Jul 12
publicado por RAA, às 23:19link do post | comentar | ver comentários (2)
 Aí por 1971/72, entre os meus sete e oito anos, num casamento de um amigo da família, vislumbro José Hermano Saraiva que, já então, tinha um programa cativante na televisão -- «O Termpo e a Alma» --, em que discorria sobre a História de Portugal e as suas figuras, numa posição hierática mas cheia de magnetismo, acompanhado dos inigualáveis painéis de Nuno Gonçalves (ou ditos de) por cenário. Hiper-excitação da minha parte, intervenção da minha mãe. Saraiva, que era baixote, curvou-se sorridente para falar comigo: «--Então gostas do meu programa?!... [...] Olha, o próximo vai ser sobre o Infante D. Henrique.» E foi, ó coisa mágica, ó caixa mágica!... 

 

Em 1997 acompanho-o num programa sobre Cascais. Assisto àquela mise-en-scène, a pose para a câmara, o bicho mediático em acção... Indescritível. Falo-lhe no nosso encontro, um quarto de século antes, evocamos o amigo. Deste também breve encontro, recordo-me de duas coisas: o elogio que fez ao livro de Vasco Pulido Valente, O Poder e o Povo, que considerava uma das grandes obras da historiografia portuguesa contemporânea; e o seu pessimismo em face do devir da Humanidade: «Vejo o homem do futuro como um grande estômago e uma grande cabeça, membros superiores desenvolvidos e os inferiores atrofiados, incapaz de se deslocar por meios próprios. Tenho de pedir a um artista para me fazer uma figura assim...»

 Diário de Notícias


12
Jul 12
publicado por RAA, às 01:08link do post | comentar

Cresci com a revista Tintin e com ela envelheço.

04
Jul 12
publicado por RAA, às 00:14link do post | comentar
Vi a primeira foto de Sergio Pininfarina no dia da sua morte. O nome, contudo, está ligado à minha infância. Ainda tenho os carrinhos da Matchbox e da Corgi Toys, miniaturas dos modelos que ele desenhou como se o mundo fosse perfeito.




28
Jun 12
publicado por RAA, às 00:41link do post | comentar
Lembro-me da greve de fome de Bobby Sands e dos outros militantes do IRA, da intransigência de Margaret Thatcher. Recuando no tempo, recordo-me, ainda criança de oito, nove, dez anos, de como me impressionavam as notícias dos telejornais sobre os atentados do Exército Republicano Irlandês. Belfast, para mim, tinha uma carga semelhante à que, muitas décadas mais tarde, teria Bagdade, que, obviamente, foi muito pior. Mas as crianças ampliam desmesuradamente a escala de tudo quanto vêem e ouvem.

Foram esses factos extraordinariamente impressivos que me vieram à cabeça, ao ver a histórica fotografia deste bacalhau trocado entre o antigo preso político e militante do IRA, Martin McGuinness, e a soberana Isabel II.

 



27
Abr 12
publicado por RAA, às 13:00link do post | comentar | ver comentários (2)

Leio a Peregrinação do Fernão Mendes Pinto, publicada postumamente em 1614, anotada pelo historiador Neves Águas. Grande escrita, da melhor escrita, um incipit inesquecível, dos começos mais arrebatadores de uma narrativa -- porque já sabemos muito do que a seguir leremos:

«Quando às vezes ponho diante dos olhos os muitos e grandes trabalhos e infortúnios que por mim passaram, começados no princípio da minha primeira idade e continuados pela maior parte e melhor tempo da minha vida, acho que com muita razão me posso queixar da ventura que parece que tomou por particular tenção e empresa sua perseguir-me e maltratar-me, como se isso lhe houvera de ser matéria de grande nome e de grande glória; [...]».

E fundamental para sabermos de que massa somos feitos,  nós portugueses, mas também brasileiros, portugueses à solta nos trópicos.

 

Releio Capitães da Areia, do Jorge Amado, publicado em 1937 e queimado em praça pública de Salvador, com todos os livros anteriores do autor, no ano seguinte. Trinta anos depois, verifico que se mantém o encantamento com que então o li. O humor, a poética, a empatia, a envergadura de romancista. Claro que detecto hoje alguns problemas ao nível do estilo, nem sempre cuidado; mas se não há arte sem estilística (e a de Jorge Amado é adequada , porque serve a narrativa em vez de ofuscá-la) -- se não há arte sem estilo, este é insuficiente quando o escritor não é profundo. As estantes das bibliotecas públicas e privadas estão pejadas de monos irrelevantes de autores celebrados pela elegância, monos que nem sequer sobreviveram a quem os escreveu. Não Amado, de quem já alguém disse ter sido o Balzac brasileiro, pela sua dimensão de criador de mundos. Ele será sempre o deus e semi do romance da nossa língua comum -- como Eça caracterizou o (seu) amado Dickens, «deus e semi», em carta a Ramalho ou Oliveira Martins, se bem me recordo, depois de ter chamado a Balzac «semi-deus»...

 

Ah!, e sempre, sempre, muita poesia e muita BD, todos os dias. Os quadradinhos, que permitem a ilusão momentânea da infância e juventude perdidas; a poesia (e a música e a pintura), que quotidianamente antecipa o fim que me espera, o nada a que estou destinado, eu e as paixões da minha vida.


18
Fev 12
publicado por RAA, às 00:17link do post | comentar

Delirante desde 1928. Não por acaso se fala de Dali aqui; talvez por acaso um simulacro de caravela portuguesa no enlace chalupa do Triângulo das Bermudas com Time Square... Este cartoon é uma das várias retomas de «Felix The Cat», fiel à letra e ao espírito da criatura de Pat Sullivan. 

 

Blair Peters, «Manhattan Triangle» (1995)

 


27
Jan 12
publicado por RAA, às 00:26link do post | comentar | ver comentários (2)

Desde criança, e até à idade adulta, reparti a minha vida por duas casas, uma no Estoril, a outra no Cobre, em Cascais. Na primeira, tinha à minha frente o casario do Monte Estoril (mais tarde ocultado por um acrescento de piso num hotel) e a baía de Cascais; na segunda, um vasto pinhal em que a região é fértil. O pinhal já não existe, foi devastado pela construção. Hoje a janela está de lado, mas tenho diante de mim uma alta estante a abarrotar de álbuns de bd. Não podendo já ter nenhuma daquelas, mantenho, nessa(s) estante(s), uma janela aberta para a infância e juventude.


04
Mai 11
publicado por RAA, às 22:37link do post | comentar
Cannonball Adderley Sextet, «Work Song». 

Julian C. Adderley, toca música do irmão Nat, o da trompete. Saudades da tv a preto e branco.

19
Abr 11
publicado por RAA, às 22:23link do post | comentar
cartaz original, 1941
Dumbo, de 1941, um filme que é um louvor à amizade e um dos mais conseguidos, de quantos foram produzidos por Disney. O experimentalismo de «Fantasia» continua, designadamente na sequência da embriaguez do elefantinho e do rato Timóteo; a cena dos corvos, cheia de swing, é outro momento alto. A banda sonora é, globalmente, esplêndida.
Lembro-me de tê-lo visto no velho Cinema São José, em Cascais (999 lugares...).
Uma curiosidade: produzido em plena II Guerra Mundial -- de que surgem uns ecos quando Dumbo faz de avião de caça metralhando as elefantas cruéis --, quando chega a hora do triunfo dos Aliados, publica-se uma revista  em que as personagens da casa agitam bandeiras dos países vencedores. Ao Dumbo coube a da União Soviética, pela qual Walt Disney nutria enorme entusiasmo, como se sabe... (Será coincidência, mas «Dumbo» foi um filme que não lhe mereceu grande simpatia).

08
Mar 11
publicado por RAA, às 23:47link do post | comentar | ver comentários (2)
O Zé Colmeia é talvez a personagem mais antiga dos quadradinhos e da tv de que me recordo. Guardo ainda um livrinho, entretanto sem capa, duma colecção que trazia "desenhos animados" no canto superior direito. Hoje fui ver o filme em 3D com a minha filha mais nova. Adormeci nas duas partes, mas deu para ver que funciona para o público infantil. O meu Zé Colmeia, porém, será sempre o das curtas metragens da dupla Hanna-Barbera.



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