letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
29
Ago 12
publicado por RAA, às 01:36link do post | comentar
Pede o Sapo uma música dos Beatles. Foi a primeira que me veio à cabeça. Poderiam ser outras cinquenta, pelo menos.



27
Abr 12
publicado por RAA, às 13:00link do post | comentar | ver comentários (2)

Leio a Peregrinação do Fernão Mendes Pinto, publicada postumamente em 1614, anotada pelo historiador Neves Águas. Grande escrita, da melhor escrita, um incipit inesquecível, dos começos mais arrebatadores de uma narrativa -- porque já sabemos muito do que a seguir leremos:

«Quando às vezes ponho diante dos olhos os muitos e grandes trabalhos e infortúnios que por mim passaram, começados no princípio da minha primeira idade e continuados pela maior parte e melhor tempo da minha vida, acho que com muita razão me posso queixar da ventura que parece que tomou por particular tenção e empresa sua perseguir-me e maltratar-me, como se isso lhe houvera de ser matéria de grande nome e de grande glória; [...]».

E fundamental para sabermos de que massa somos feitos,  nós portugueses, mas também brasileiros, portugueses à solta nos trópicos.

 

Releio Capitães da Areia, do Jorge Amado, publicado em 1937 e queimado em praça pública de Salvador, com todos os livros anteriores do autor, no ano seguinte. Trinta anos depois, verifico que se mantém o encantamento com que então o li. O humor, a poética, a empatia, a envergadura de romancista. Claro que detecto hoje alguns problemas ao nível do estilo, nem sempre cuidado; mas se não há arte sem estilística (e a de Jorge Amado é adequada , porque serve a narrativa em vez de ofuscá-la) -- se não há arte sem estilo, este é insuficiente quando o escritor não é profundo. As estantes das bibliotecas públicas e privadas estão pejadas de monos irrelevantes de autores celebrados pela elegância, monos que nem sequer sobreviveram a quem os escreveu. Não Amado, de quem já alguém disse ter sido o Balzac brasileiro, pela sua dimensão de criador de mundos. Ele será sempre o deus e semi do romance da nossa língua comum -- como Eça caracterizou o (seu) amado Dickens, «deus e semi», em carta a Ramalho ou Oliveira Martins, se bem me recordo, depois de ter chamado a Balzac «semi-deus»...

 

Ah!, e sempre, sempre, muita poesia e muita BD, todos os dias. Os quadradinhos, que permitem a ilusão momentânea da infância e juventude perdidas; a poesia (e a música e a pintura), que quotidianamente antecipa o fim que me espera, o nada a que estou destinado, eu e as paixões da minha vida.


24
Abr 12
publicado por RAA, às 00:18link do post | comentar | ver comentários (2)

Um monumento que nunca tenha visitado? O primeiro que me veio à cabeça: a velha e tosca Porca de Murça (que, afinal, parece ser macho).

O fascínio da penumbra da História, do Paleolítico até hoje.



08
Fev 12
publicado por RAA, às 20:11link do post | comentar
 
As da BBC, pois claro. Sigo «Os Bórgias», às quartas no AXN, e os «Românticos Desesperados», às segundas, na RTP2 e ainda «Father», que abre a BritCom dos domingos.
Sobre a família espanhola que ocupou o trono de São Pedro, é a sabedoria da estação britânica no seu melhor e máximo fausto. Grande produção, dá-nos uma visão interessante, porque não estereotipada, do papa Alexandre VI e dos filhos, em especial César e Lucrécia. Formidável.
«Românticos Desesperados» não é super-produção televisiva, mas eficaz no explorar das ganas da Irmandade Pré-Rafaelita de Dante Gabriel Rossetti, Millais, Hunt, a musa e também pintora Lizzie Sydall, na sua desenfreada busca pelo belo mais imaterial. Parece que vão ainda aparecer Burne-Jones e William Morris. Para já, John Ruskin é personagem secundária, mas não despicienda; e Dickens, tão celebrado ontem, circula e dá alguma espessura historicista.
«Father», creio que é assim o título, é uma espécie de «Vigária de Dibley» ao contrário, não tão conseguido, mas bastante digerível.
 
 


31
Jan 12
publicado por RAA, às 23:59link do post | comentar | ver comentários (2)

* beijar a mulher amada, apalpá-la, também

* brincar com o cão e a gata

* conversar com os amigos e perceber que há estórias de há 40 anos

* dizer mal da televisão e dos jornais

* escrever

* flanar pelo Paredão Cascais-Estoril

* flirtar

* formar clubes de leitura

* gostar de elogiar

* lamúrias sobre a crise e a política

* mimar a filha mais nova; gozar com os filhos mais velhos

* tardes de Guincho

* torcer pelo Benfica


27
Jan 12
publicado por RAA, às 00:26link do post | comentar | ver comentários (2)

Desde criança, e até à idade adulta, reparti a minha vida por duas casas, uma no Estoril, a outra no Cobre, em Cascais. Na primeira, tinha à minha frente o casario do Monte Estoril (mais tarde ocultado por um acrescento de piso num hotel) e a baía de Cascais; na segunda, um vasto pinhal em que a região é fértil. O pinhal já não existe, foi devastado pela construção. Hoje a janela está de lado, mas tenho diante de mim uma alta estante a abarrotar de álbuns de bd. Não podendo já ter nenhuma daquelas, mantenho, nessa(s) estante(s), uma janela aberta para a infância e juventude.


17
Jan 12
publicado por RAA, às 01:48link do post | comentar | ver comentários (4)

Em 7 de Abril de 1570 havia peste em Lisboa. Vindo de Moçambique, Luís de Camões, na companhia do escravo Jau e de Diogo do Couto, desembarcou em Cascais com o manuscrito d'Os Lusíadas. Gostava de ter visto a chegada do Trinca-Fortes


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