letras, sons, imagens -- revolução & conservação -- ironia & sarcasmo -- humor mau e bom -- continua preguiçoso
14
Fev 11
publicado por RAA, às 23:48link do post | comentar
5 poemas, aqui.

09
Out 06
publicado por RAA, às 22:30link do post | comentar
STABAT MATER IV

A luz fria de Dezembro consentiu
que erguesse a mão, a que nada
tinha para dizer. No dia em que fazia anos.

"Tudo morreu" -- voltou a dizer Aurora, Dona
Aurora, última sobrevivente de um bairro
em que pretos e ucranianos procuram como ela
comprar mais barato tudo aquilo que nos mata.

A quem deixará, não sabe, tantas bonecas,
coisas de perder concretas, de Espanha
ou de longe trazidas. O tecto -- reparem --
caiu um pouco mais. O frigorífico está desligado.
São poucos os clientes que lhe suportam
a miséria, panela de couves sem lume.

Com a poesia, bem sei, é a mesma coisa.
Mas eu prefiro esta taberna a todos os poemas
que já li. Não foram muitos, de resto.

Encostamos a porta -- uma caixa de bolachas,
pelo dia dos seus anos, dirá a ninguém
que estivemos ali. Dois dias antes do Natal,

à espera de que tudo finalmente morra.

A Flor dos Terramotos

20
Ago 06
publicado por RAA, às 13:14link do post | comentar
Mais estranho, sempre, é sobreviver / a isto, fingir que não, sorrir.
Manuel de Freitas

04
Abr 06
publicado por RAA, às 19:01link do post | comentar
Falta-me a técnica, mas tenho o rancor

«Esplanada»
Game Over

14
Nov 05
publicado por RAA, às 22:06link do post | comentar | ver comentários (4)
BUT NOT FOR ME (BILLIE HOLIDAY)

Desistir do rosto, dos propósitos, das
palavras. Há sílabas assim.
Com a vergonha do afecto
emprestada ao desalinho das mesas.

Por ali, encenando a imobilidade,
a rudeza de haver dor.
Eu sei que não virás.
Bebo por ti, sem ti, contra ti,
com o coração no bengaleiro
a fingir que não, não faz diferença.

E o pior é que até faz,
por muito que ninguém o saiba.

[sic]


publicado por RAA, às 22:05link do post | comentar

18
Set 05
publicado por RAA, às 15:14link do post | comentar | ver comentários (2)
Tens uma idade breve contudo excessiva,
um corpo débil alimentado quase
somente a mezcal. Talvez seja altura
de te calares, escreveste demasiado
sem uma única vez o vazio se te render.

De que serve este lento suplício,
em palavras ou gestos? Parte
ao amanhecer como quem se esqueceu
de regressar.

Encontrarás as horas iguais a
si mesmas, a forca no lugar certo.

1989-1992

Todos Contentes e Eu Também

mais sobre mim
Novembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

15


25
26
27
28
29
30


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO